terça-feira, 27 de novembro de 2012

Há três anos, eu escrevi as palavras abaixo em busca de um consolo, de algo que me curasse da dor da perda. Agora relendo, não encontro este consolo para minha dor. Perder uma pessoa tão amada e tão importante para minha vida é algo que me deixa em pedaços. O que me conforta é que um dia eu a reencontrarei. Mas quando olho para trás e relembro os momentos felizes que passamos, me dói demais que nã
o a terei nos meus momentos futuros. Sei que Deus em seus planos, e que nem sempre nós somos capazes de entender. Ele escolheu te levar agora, vózinha. Mas em meu coração, te sinto e te lembro como se nunca tiveste partido.

"Porque se a alegria de estar junto a alguém é extensa, não é nem de perto comparada a extensão da dor de perdê-la. Seja para quem for, se for para Deus, se for para outra pessoa, se a pessoa apenas foi embora, perdê-la deixa marcas. Deixa buracos. E buracos deixam cicatrizes. Muitas vezes, o buraco é dolorido, e arde como fogo. Demora para cicatrizaar. E a dor te consome, te deixa cega. Outras vezes, o buraco logo é preenchido por pele, deixando uma marca que te lembrará para sempre que alguém esteve ali. Têm vezes que a pessoa simplesmente foi para algum lugar melhor, e nessas horas o melhor jeito é se conformar e se lembrar saudosamente de tudo que você viveu com ela.
Seja quem for, seja como for, dói. Perder alguém sempre dói.

Mas a dor passa. Porque ela escorre com as lágrimas.
As lágrimas rolam face abaixo, rechadas com pedacinhos de dor. E logo você percebe que aquele buraco já não mais dói e tudo que existe ali agora são marcas que fazem cócegas saudosas quando você lembra delas.
Chorar faz bem e lava a alma.

Faço as mãos em forma de conchinha e vou catando as lágrimas que pingam do meu rosto. São lágrimas salgadas, com casquinha de água e recheio de dor. Elas vão se acumulando e formando uma pocinha nas minhas mãos. De repente, a fonte seca e a dor não sinto mais. Ela se esvaiu.
Então me levanto e jogo minha piscininha doída para o vento. "Leva logo essa dor embora"
O vento levou, mas as marcas ficaram. Você esteve aqui, e você se foi. Mas você existiu.

Não tem como não lembrar."

Um comentário:

  1. Eu vivi com minha avó por 2 anos, e sei como é; vó é uma mãe com açúcar.

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